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MANOEL DE ARAÚJO PORTO-ALEGRE (Rio Pardo, RS, 1806 - Lisboa, Portugal, 1879) Talento múltiplo, Manoel de Araújo Porto-alegre desenvolveu durante sua vida atividades como pintor, caricaturista, arquiteto, crítico e historiador de arte, professor e escritor. Em 1816 mudou-se para Porto Alegre, onde iniciou seus estudos de pintura e desenho com o pintor francês François Thér e com os cenógrafos Manoel José Gentil e João de Deus. Em 1827, já estabelecido no Rio de Janeiro, matriculou-se na Academia Imperial das Belas Artes (AIBA), onde teve aulas com os mestres da chamada Missão Francesa, J. B. Debret e o arquiteto Grandjean de Montigny. Em 1831, acompanhou Debret em seu retorno a Europa, fixando-se em Paris, onde freqüentou o ateliê de Jean-Antoine Gros e a École nationale superiéure des Beaux-Arts. Em sua estada na Europa, conheceu também a Itália - onde estudou, em Roma, com o arqueólogo Antonio Nibby -, a Bélgica e a Inglaterra. No ano de 1837, Porto-alegre foi nomeado lente da cadeira de pintura histórica na AIBA, em substitução ao mestre Debret, cargo que ocupou até 1848. Em 1854, passou a diretor da Academia, tendo sido a sua dinâmica administração marcada por uma série de reformas no currículo e nos métodos de ensino da instituição, como a criação de novas cadeiras, inclusive a de Desenho Industrial, pela melhoria da remuneração financeira dos professores, pela ampliação do edifício da Academia, para acomodar a Pinacoteca, e pela dilatação do prazo de permanência dos pensionistas na Europa de três para seis anos. Essas reformas, porém, não se fizeram sem as reações de seus desafetos, que, alguns anos depois, em 1857, acabaram levando Porto-alegre a deixar a AIBA. Já em 1840, o artista fora nomeado pintor da Câmara Imperial: foi o responsável pelos trabalhos de decoração da coroação e do casamento do Imperador Dom Pedro II. Executou ainda projetos arquitetônicos no Rio de Janeiro, dos quais se destacam as obras realizadas no Paço Imperial, o plano arquitetônico da antiga sede do Banco do Brasil, da Escola de Medicina e do prédio da Alfândega. Porto-alegre fundou diversos periódicos (Niterói (1836) - um dos marcos iniciais do movimento romântico brasileiro -, Minerva Brasiliense (1843), Lanterna Mágica (1844), e Guanabara (1849)) e é considerado o inaugurador da história e da crítica de arte brasileira, podendo ser ainda hoje consultados com proveito os seus artigos sobre a arte brasileira, como Memória sobre a Antiga Escola Fluminense de Pintura, Valentim da Fonseca e Silva, Francisco Pedro do Amaral e Algumas Idéias sobre as Belas Artes e a Indústria no Império do Brasil. Entre as obras literárias de sua autoria, destacam-se os livros de poesia, As Brasilianas (1863), e Colombo (1866). Em 1860, iniciou carreira diplomática no exterior e, no ano de 1874, o Imperador D. Pedro II conferiu-lhe o título de Barão de Santo Ângelo. Foi na função de diplomata que Porto-alegre, cinco anos mais tarde, faleceu na capital portuguesa. Seus despojos, trazidos em 1922 para o Brasil, foram depois transferidos para a sua cidade natal, Rio Pardo, onde hoje repousam. * Veja mais sobre Manoel de Araújo Porto-alegre em DezenoveVinte Manuel de Araújo Porto-alegre: 30 teses para debate em 1855, seção Textos de Artistas. Manuel de Araújo Porto-alegre: Três cartas a Victor Meirelles, 1854, 1855, 1856, seção Documentos. Gonzaga Duque. A arte brasileira: Movimento II, Seção Artigos na Imprensa. |