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JOÃO ZEFERINO DA COSTA (Rio de Janeiro, 1857 - idem, 1916) João Zeferino da Costa iniciou o seu aprendizado artístico em 1857 na Academia Imperial de Belas Artes, conquistando durante o curso diversas premiações, inclusive, em 1868, o Prêmio de Viagem à Europa, com a composição Moisés recebendo as tábuas da Lei. A 19 de julho de 1868 estava em Roma, matriculando-se logo depois na classe de Cesare Mariani na Academia de São Lucas. Mariani, antigo aluno de Tomasso Minardi, gozava de boa reputação como pintor de história e como decorador de igrejas, e foi quem certamente incutiu em Zeferino o amor ao assunto sacro e às grandes decorações religiosas em que mais tarde se notabilizaria. Durante seu curso em Roma, Zeferino ganhou dois primeiros prêmios em pintura histórica e de nu, o que lhe acarretou uma recompensa de 2 mil francos. Foi durante essa longa permanência na Europa - além dos cinco anos regulares de pensão, mais três de prorrogação (dois para aperfeiçoamento e o último para percorrer os museus) - que o artista brasileiro produziu algumas de suas obras mais importantes, como A Caridade, O óbulo da viúva e A Pompeana. Retornando em 1877 ao Brasil, Zeferino foi nomeado professor da Academia. Seria professor praticamente até o fim da vida, mostrando-se de grande dedicação e contribuindo para o aprimoramento de inúmeros artistas, entre os quais Baptista da Costa, Oscar Pereira da Silva, Henrique Bernardelli, G. B. Castagneto, Belmiro de Almeida, Firmino Monteiro e Rodolpho Chambelland. Foi professor de Pintura Histórica em 1877 (substituindo Victor Meireles), regente da cadeira de Paisagem em 1878, após a morte de Agostinho José da Mota, vice-diretor e professor de Modelo-Vivo da já então Escola Nacional de Belas Artes, em 1890. Segundo Alfredo Galvão, esforçou-se, ainda antes de Jorge Grimm e Antonio Parreiras, para que os alunos de Paisagem fizessem os estudos ao ar livre. Em 1879 Zeferino da Costa enviou 17 pinturas à Exposição de Belas Artes organizada pela Academia, inclusive as que realizara na Itália e que lhe tinham granjeado fama. Gonzaga Duque, embora elogiando A Caridade e O óbulo da viúva, criticou impiedosamente A Pompeana. Fosse pela severa critica de Gonzaga Duque ou por outro qualquer motivo, Zeferino, após 1879, pouco participou de exposições públicas, preferindo conservar-se em seu natural retraimento até o fim da vida. Uma das grandes oportunidades de sua carreira artística se apresentou quando, concluída a construção da Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro, com a adição da nova cúpula desenhada por Daniel Pedro Ferro Cardoso, pensou-se em decorá-la com pinturas que evocassem o milagre ocorrido, séculos antes, a Antônio Martins de Palma e Leonor Gonçalves. De início, a idéia era confiar a decoração a pintores italianos, mas, por sugestão do próprio Dom Pedro II, foi a tarefa entregue a Zeferino da Costa. Realizando também as decorações para o teto da capela-mor, Zeferino fixou, nos seis imensos painéis que ornamentam a nave da igreja, a história do milagre. Nos trabalhos decorativos da Candelária, Zeferino contou com a colaboração de diversos de seus ex-alunos da Academia. Discípulo de Victor Meireles e Pedro Américo, Zeferino da Costa herdaria algo do estilo de seus mestres; sobrevivendo a ambos, porém, já entrado o século XX, seria o ilustre remanescente de um tipo de sensibilidade que, durante a 1ª República, veio a ser relativizada pelo influxo de uma diversidade de novas propostas estéticas. No título do pequeno livro que escreveu, e que seria publicado dois anos após sua morte - Mecanismos e proporções da figura humana -, resume-se algo do seu credo artístico: poucos estudaram tão fundamente a figura humana, a ponto de transformá-la em referência fundamental para quase toda a sua produção. * Veja mais sobre João Zeferino da Costa em DezenoveVinte * Pinturas decorativas de Zeferino da Costa para a Igreja da Candelária, Rio de Janeiro “Antonio Martins da Palma, capitão de uma nau, e sua mulher Leonor Gonçalves, navegavam para as Indias de Hespanha...” A tempestade e a promessa (1630) “...e na volta lhes deu um temporal tão forte que iam dando com a nau em um rochedo. Vendo-se em tão grande perigo, lembrados dos milagres e maravilhas que Deus obrara pela imagem de N. Sra. da Candelária, na Ilha de Palma, sua terra natal, recorreram aos seus poderes, pedindo-lhe o seu favor em perigo tão evidente, e que se dele os livrasse lhe prometiam que na primeira terra onde aportassem, lhes edificariam uma igreja de sua invocação.” A chegada ao Rio de Janeiro e o agradecimento (1630) “Permitiu Deus (alcançando-lhe a misericordiosa Senhora, que queria por aquele meio favorecer também os moradores do Rio de Janeiro) que o primeiro porto que chegaram fosse a cidade de S. Sebastião, onde fizeram sua habilitação, sem quererem mais tratar de navegar.” A inauguração da capela prometida (1630) “Assim, em cumprimento do seu voto, fundaram em terras proprias e dedicaram à Sra. da Candelária a igreja que mais tarde foi designada para paróquia (Santuário Mariano de Frei Agostinho de Santa Maria).” A benção da pedra fundamental para o atual templo (1775) “Em 6 de junho de 1775 deu a Irmandade princípio á realização do que havia deliberado, e estando a mesa reunida, foi sagrada a primeira pedra com assistência do Vice-Rei Marquês do Lavradio, corpo eclesiástico, militar e civil; sendo escolhido esse dia por ser o aniversário de El-Rei D. José I.” A procissão com a trasladação das imagens da antiga capela para a atual igreja (1881) “Em 18 de Setembro de 1811, fez-se a trasladação do Santíssimo e imagens de N. Sra. da Candelária, N. Sra. das Dores, Santana e S. Joaquim, S. José, S. João Baptista, S. Miguel, S. Crispim e S. Crispiniano para a nova igreja, em vistosa procissão pelas ruas da cidade, levando a custódia o Reverendo Bispo de Moçambique, pelos poderes que lhe haviam sido conferidos pelo reverendo bispo diocesano dom José Caetano da Silva Coutinho, que não pôde assistir por andar em visita geral; sendo a referida procissão acompanhadas pelas seguintes irmandades: Santíssimo Sacramento da Sé, Santíssimo de S. José, S. Domingos, Conceição do Hospício, N. Sra. da Boa Morte, Mãe dos Homens e Lapa dos Mercadores, fazendo a guarda de honra o batalhão de milícias da Candelária. Histórico da Fundação da Igreja da Candelária, feito em 1888, por incumbência do Provedor Comendador Antônio Ferreira da Silva a José Vitorino de Souza.” |